O Brasil deu luz verde para receber no sábado (25) um avião fretado pela imigração com brasileiros removidos dos Estados Unidos, informou hoje a agência Reuters. É o segundo voo deste tipo desde outubro.

Um Boeing 737 vai decolar de El Paso, no Texas, com destino a Belo Horizonte na noite de sexta-feira, confirmou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, à Reuters. São 70 pessoas que foram pegas tentando atravessar ilegalmente a fronteira com o México e buscavam asilo nos EUA.

Os dois voos, o de outubro e o desta sexta, são os primeiros autorizados desde 2006, e marcam as mudanças na política brasileira impostas pelo governo de Jair Bolsonaro, totalmente alinhado com o governo Trump.

Antes, o Brasil se recusava a receber deportações em massa dos EUA, mas agora elas são autorizadas a título de ação colaborativa junto à política imigratória do presidente Trump, interessada na aceleração no processo de remoção dos imigrantes que atravessam ilegalmente a fronteira com o México.

“O que podemos fazer? Eles estão sendo pegos atravessando a fronteira e não podem permanecer nos EUA. Precisamos trazê-los para casa”, disse um funcionário do Itamaraty à agência, quando questionado sobre as deportações.

Trump considera a questão imigratória o ponto central de sua campanha para a reeleição em 2020. Por isso, o governo vem baixando uma série de medidas para dificultar os pedidos de asilo na fronteira com o México e para acelerar a deportação de estrangeiros vivendo ilegalmente no País.

O diretor em exercício do ICE, Matthew Albence, disse que com os voos fica muito mais fácil o processo de remoção. “Colocamos 70 pessoas num avião e deportamos todas, em vez de remover uma por uma. É bem mais econômico assim”.

O número de brasileiros detidos na fronteira com o México aumentou dramaticamente no ano fiscal de 2019, passando de 1,5 mil no ano anterior para 17,9 mil, um aumento de mais de dez vezes, segundo o governo.

Duas fontes do governo brasileiro disseram à Reuters em condição de anonimato que foram instruídos para não interferirem no processo de deportação dos brasileiros porque isso poderia causar danos à relação com Washington.

O aumento no número de brasileiros detidos tem feito com que o governo americano procure alternativas para a sua remoção. Uma delas seria enviá-los para o México e Guatemala.