7:04 am - Segunda-feira Junho 17, 2019

Temer diz conhecer ‘muitos políticos’ que não utilizavam caixa 2

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O presidente Michel Temer disse em entrevista à agência de notícias EFE, da Espanha, que conhece “muitos políticos” que não utilizavam caixa 2, recursos sem contabilidade oficial, em suas campanhas.

“Eu fui presidente de um partido [PMDB], o maior partido do País durante 15 anos, e as contribuições que chegavam, chegavam oficialmente pelo partido. Eram valores até significativos, porque muitas e muitas vezes – não se trata apenas da Odebrecht -, todos os empresários, são muitos, quando queriam contribuir, eram procurados pelos candidatos, mas diziam: nós queremos contribuir oficialmente por meio do partido nacional”, disse o presidente.

Essa foi uma alusão à declaração de Marcelo Odebrecht, que declarou, em delação premiada, que não conhece político eleito no país sem o caixa 2.

“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer qualquer eleição sem caixa 2. O caixa 2 era três quartos, o que eu estimo. Não existe ninguém no Brasil eleito sem caixa 2. O cara até pode dizer que não sabia, mas recebeu dinheiro do partido que era caixa 2. Não existe, não existe”, afirmou o empresário.

Processo no TSE relativo a chapa Dilma-Temer

Questionado sobre o processo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que julgará ação que pede a cassação da chapa encabeçada por PT e PMDB, o presidente da República declarou que será obediente às decisões do Poder Judiciário, mas acrescentou que, se houver cassação da chapa, “haverá recurso”.

“Ainda um longo percurso processual a percorrer. Então, na pior das hipóteses, se houver, digamos assim, a anulação da chapa, a cassação da chapa, haverá recurso. Segundo ponto, não é improvável que a ação seja julgada improcedente. Terceiro ponto, também não é improvável – é uma tese que os meus advogados sustentam – a hipótese de separação de contas. Porque as contas do presidente e do vice-presidente são prestadas separadamente”, afirmou ele.

Temer avaliou que o problema principal no julgamento desta ação pelo TSE refere-se à arrecadação dos recursos, se foi regular ou não.

“As arrecadações que vieram para a minha campanha, modestíssima, menos de 5% (do total da chapa), foram todas regulares. E por isto que subsiste a tese de uma eventual separação de contas. Estou dando isso como terceira hipótese. Enfim, nesta matéria, nós temos um longo caminho a percorrer”, afirmou.

O TSe vai julgar se houve abuso de poder político e econômico por parte da chapa eleita, formada por Dilma Rousseff e Michel Temer, e se Dilma deve ficar inelegível e Temer deve perder o cargo.

Ainda não há previsão de data para o julgamento pelo TSE que, no início deste mês, decidiu abrir a etapa de coleta de provas, autorizar depoimentos de novas testemunhas e conceder prazo adicional de cinco dias para as alegações finais das defesas. O prazo passará a contar depois que o TSE ouvir as novas testemunhas.

Impacto da Lava Jato nos investimentos

Na visão do presidente da República, as investigações da Lava Jato, que apuram irregularidades na Petrobras, não devem postergar o ingresso de investimentos estrangeiros no país.

“Você sabe que nós temos pregado muito – eu vou ser repetitivo, mas verdadeiro – essa história de que o País não pode parar em função da Lava Jato. E, portanto, o país tem que continuar a trabalhar e, neste sentido, o Executivo e o Legislativo, assim como o Judiciário, cumprindo a sua tarefa”, declarou.

Disse ainda que tem “exemplos concretos” de investimentos que estão sendo feitos no Brasil.

“Esses investidores me procuram para dizer que vão aumentar os investimentos. E sempre que chegam a mim, confiam muito que, com as reformas feitas, vai ainda aumentar o grau, vai aumentar a possibilidade de investimento. Não creio que isso [Lava Jato] prejudique”, acrescentou Temer.

Reformas

O presidente Michel Temer, ao ser questionado pela reportagem da EFE, também disse que as reformas que estão sendo propostas, como a trabalhista e a previdenciária, são “pesadíssimas”, mas visam preparar para o país para o futuro.

“São o oposto dos gestos populistas, então, em um primeiro momento, elas assustam”, declarou. Ele acrescentou que, no caso da Previdência Social, encaminhou ao Congresso uma reforma “completíssima. “Mas sabíamos que no Congresso Nacional haveria observações, eventuais objeções, e estávamos preparados para isso”, afirmou.

Segundo ele, com os ajustes aceitos pelo governo, na proposta que foi encaminhada pelo relator Arthur Maia (PPS-BA), a redução do déficit previdenciário será de R$ 600 bilhões em dez anos, ao invés dos R$ 820 bilhões estimados com a proposta do governo.

“Mas a pergunta é a seguinte: vale a pena ter uma redução de R$ 600 e poucos bilhões ou vale a pena não ter nenhuma redução? Por isso que digo eu: a reforma previdenciária, embora não vá atingir aquele valor inicial de R$ 800 e tantos bilhões, ainda atinge uma redução do déficit de R$ 600 bilhões, que é útil para o País”, disse.

Michel Temer afirmou ainda não acreditar que as investigações da Lava Jato possam dificultar as reformas propostas.

“Não acredito, até porque, no caso dos ministros, eu fiz uma espécie de linha de corte. Existe muito o fenômeno da delação (…) Qual foi a linha de corte que eu fiz: quando alguém é denunciado pelo Ministério Público, embora ainda não admitida a denúncia, haverá fortes indícios de que o que o delator disse é comprovável, e nessa hipótese eu afasto provisoriamente o ministro. Se depois a denúncia for aceita, eu afasto definitivamente o ministro que se converteu em erro”, declarou.

Eleições livres na Venezuela

O presidente Michel Temer também afirmou na entrevista que espera “eleições livres” e uma “solução pacífica” para a crise política, econômica e social na Venezuela.

Segundo a agência, Temer afirmou que, sem eleições, a Venezuela perderá as “condições de convivência” no Mercosul. Temer declarou que o governo brasileiro “espera” uma próxima reunião do Mercosul “para decidir” o que será feito pelos outros membros em relação à Venezuela no bloco.

A crise no país vizinho, que já se arrasta por meses, se intensificou nos últimos dias, quando foram registradas mortes em manifestações organizadas pela oposição contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Os opositores exigem eleições gerais, mas o governo ainda não marco uma data.

Além disso, com a grave crise econômica, os venezuelanos têm sofrido com desabastecimento de produtos básicos, como alimentos e remédio. Em busca de melhores condições de vida, milhares de venezuelanos têm deixado o país e emigrado para os vizinhos Colômbia e Brasil.

Na entrevista à EFE, Temer disse que há uma “avalanche de venezuelanos que estão entrando no Brasil por meio de Roraima”, onde afirmou que há “milhares” de cidadãos do país vizinho.

Na segunda-feira (24), Temer receberá em Brasília o premiê espanhol, Mariano Rajoy. O tema Venezuela deve ser um dos pontos a ser discutidos no encontro pelos dois líderes.

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