Só quem vive fora de seu país de origem sabe qual é o sabor de cada (re) começo. Coisas simples – que para muitos podem parecer banais – para quem parte em busca de algo novo em outras terras pode ser um baita desafio. Pedir uma comida no restaurante e entender tudo que dizem, saber escolher entre os inúmeros tipos de café, comprar ítens do dia-a-dia, saber se localizar nos mapas, pedir ajuda na rua para saber onde você está se tornam uma grande conquista! Fazer a sua rede de amizades e se estruturar então… nem se fala!

Tarefas que antes eram corriqueiras se tornam grandes desafios a serem vencidos. Isto acontece por um simples motivo: sair da zona de conforto dá medo – e muito!

Sair do seu país de origem, se colocar em lugares novos, falar outra língua são situações que demandam coragem. E tudo que te exige, mesmo que minimamente, esforço e dedicação, gera inicialmente insegurança. E quando você se depara com o medo de um lado, a insegurança de outro e não tem para onde correr, você enfrenta – mesmo que o faça por falta de opção.

O engraçado é que pequenas tarefas que antes você executava sem nem pensar muito a respeito, quando se está em adaptação fora do seu país, se tornam conquistas inenarráveis. Dirigir, por exemplo, foi para mim uma delas.

Sempre tive o hábito de dirigir fosse o meu carro, o das minhas irmãs ou das amigas. Algo simples que eu fazia constantemente.

Me lembro dos meus 18 anos, quando tirei minha carteira de motorista.  Eu dirigia o carro da minha irmã mais velha para ir até o shopping – eram apenas 15 minutos de distância – e era uma aventura e tanto! Aos poucos, dirigir se tornou um hábito tão corriqueiro que perdeu aquela graça inicial e entrou no famoso modo automático.

Dirigindo sozinha pela primeira vez fora do meu país, me fez (re) experimentar aquela aventura novamente. Reviver essas emoções dão à rotina um sabor bem diferente. Por um lado inseguranças bobas, por outro a emoção de vencer cada etapa.

Aos poucos você vai se adaptando, conhecendo pessoas novas, vencendo seus próprios limites e construindo uma estrutura que antes parecia impossível.

Sair da zona de conforto é assim, te desestrutura inicialmente, te obriga a enfrentar os medos, mas também abre infinitas possibilidades.

Gradativamente os medos diminuem e as inseguranças se transformam em histórias e experiências de vida. Só posso dizer uma coisa: sair da zona de conforto vale a pena – e muito!