Presidente russo nega compartilhamento de informações secretas com seu chanceler

 

 

SOCHI, Rússia — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou nesta quarta-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha compartilhado informações confidenciais num encontro com diplomatas russos. E se ofereceu a prová-lo disponibilizando ao Congresso dos EUA a transcrição da reunião da semana passada entre Trump e o seu chanceler, Sergei Lavrov, na Casa Branca. O republicano vem sendo acusado de ter repassado conteúdo secreto oferecido por uma nação aliada na luta contra o Estado Islâmico (EI), sem autorização da sua fonte original, neste mesmo encontro. Funcionários da Inteligência e do governo americanos disseram à imprensa que Israel foi a fonte das informações.

Em uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, Putin disse que Lavrov não repassou a ele nenhum segredo contado pelo presidente americano. O chefe do Kremlin reforçou que não houve compartilhamento de informações secretas no encontro, em que também estava presente o embaixador russo nos EUA, Sergey Kislyak.

Putin se disse pronto a entregar a transcrição da conversa aos legisladores americanos, se isso ajudasse a respaldá-lo nas suas declarações.

— Se o governo americano autorizar, estamos dispostos a fornecer a gravação da conversa entre Lavrov e Trump ao Congresso e ao Senado americanos — declarou Putin.

O Congresso e a Comissão de Inteligência do Senado querem mais informações sobre os relatos de que Trump compartilhou inadvertidamente informações confidenciais sobre o combate ao Estado Islâmico. Os conteúdos seriam tão delicados que não poderiam nem mesmo ser tratados dentro de certas esferas do governo americano e teriam colocado em risco a vida de um espião israelense infiltrado no Estado Islâmico.

A denúncia de uma fonte anônima ao “Post” não apenas gerou fortes críticas de democratas e republicanos, mas também intensificou a difícil relação que o presidente mantém com as próprias agências de Inteligência. Embora não possa ser considerada ilegal, uma vez que o mandatário tem o poder de reduzir o status de confidencialidade de qualquer informação que receba, a suposta decisão de Trump foi classificada pelo diário como “uma enorme violação da etiqueta da espionagem, que pode colocar em risco uma valiosíssima relação de compartilhamento de informações”.

 

FONTE SERIA ISRAEL

Maior aliado dos EUA no Oriente Médio, Israel seria dono das informações secretas que o presidente Donald Trump supostamente vazou para o chanceler e embaixador russos, disseram ao “New York Times” e à NBC funcionários da Inteligência e do governo americanos. O país é uma das maiores fontes de Inteligência contraterrorista no Oriente Médio.

Caso haja indícios de que informações obtidas pelo país foram entregues sem autorização aos russos, a Casa Branca correria o risco de afetar profundamente uma já fragilizada relação entre os dois países. O “New York Times” destacou ainda que o Irã, como aliado dos russos, poderia fazer uso das informações coletadas para exercer maior influência na região.

Questionado pela NBC, o embaixador israelense, Ron Dermer, não confirmou a informação de que seu país seria o autor dos supostos relatórios, assim como fizera a Casa Branca.

— Apreciamos a forte relação que temos com Israel e queremos reforçá-la — esquivou-se o porta-voz Sean Spicer.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, H.R. McMaster, defendeu Trump das acusações e afirmou que não soube de quem vinham as informações supostamente vazadas, e nem que eram secretas.

— O que compartilhamos foi apropriado em vista do propósito da conversa e do que o presidente tentava alcançar — disse o conselheiro, acrescentando que as ações do presidente não colocaram a segurança nacional em risco. — Em nenhum modo o presidente comprometeu fontes da Inteligência. (…) O presidente não conhecia a fonte da informação.

Pelo menos duas fontes já confirmaram à imprensa americana que o diretor da CIA, Mike Pompeo, será ouvido pela Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes. Investigadores do Congresso deverão pedir cópias da transcrição da conversa de Trump com Lavrov e Kislyak, ou outras anotações tomadas durante a reunião.

 

PRESIDENTE SE DEFENDE

Na terça-feira, Trump defendeu seu direito presidencial de compartilhar informações com a Rússia. O tema preocupa aliados e deverá ser o pano de fundo da primeira viagem ao exterior de Trump como presidente, que começa na sexta-feira.

“Como presidente eu quis compartilhar com a Rússia (em uma reunião aberta planejada na Casa Branca), o que eu tenho o direito absoluto de fazer, fatos relativos a terrorismo e a segurança de voos. Razões humanitárias, e além disso eu quero que a Rússia aumente sua luta contra o Estado Islâmico e o terrorismo”, escreveu Trump no Twitter.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou, por sua vez, que o caso não merece ser confirmado ou negado, classificando-o de “sem sentido”.

— Para nós, isso não é uma questão, é sem sentido — disse Peskov. — Não é uma questão que mereça ser confirmada ou negada.

Durante meses, aliados dos Estados Unidos se perguntavam com inquietação se podiam dividir com Trump segredos de segurança nacional mais sensíveis. Agora, a poucos dias de sua estreia na cena internacional, o presidente americano abriu novas brechas para mais desconfiança.

— Isso é o que preocupa os europeus — afirmou uma autoridade ocidental à agência Associated Press (AP).

Após visitas importantes à Arábia Saudita, Israel e Vaticano, Trump vai se reunir com alguns dos mais fortes parceiros europeus de Washington em uma cúpula da Otan em Bruxelas e em uma reunião do G7, na Sicília. Alguns dos líderes com quem o presidente se reunirá procedem de países com os quais os Estados Unidos têm acordos para compartilhar informações de Inteligência.

Fonte; Globo.com