Por JOSÉ FUCS

O dia 15 de março – a data marcada para as manifestações contra a presidente Dilma e a bandalheira generalizada no governo – está chegando. Depois de 12 anos de letargia, as forças de oposição – de centro-esquerda, de centro, de direita e até de extrema direita – prometem mostrar suas garras. Será, provavelmente, a maior manifestação oposicionista desde que Lula assumiu o poder, em 2003. Em junho de 2013, os protestos chegaram a reunir milhões de pessoas em todo o país, mas suas bandeiras eram difusas e não tinham como alvo isolado o governo federal. Agora, não. Eles têm endereço certo e, se forem confirmadas as expectativas, deverão reunir pelo menos 100 mil pessoas só em São Paulo – um recorde em manifestações de oposição na era petista.

impeachmentDepois do panelaço de domingo passado e das vaias levadas por Dilma numa feira de negócios em São Paulo, o governo tentou, sem sucesso, convencer a CUT, a central sindical chapa branca, a cancelar as manifestações contra o ajuste fiscal e em “apoio” à Petrobras, marcadas para esta sexta-feira, 13. O temor do Planalto é que essas manifestações – apoiadas por outras centrais sindicais e por grupos radicais de esquerda, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) – acabem “botando pilha” nos protestos da oposição.

Embora a bandeira do impeachment de Dilma seduza uma parcela crescente da população, as cartas ainda não estão dadas para que o processo deslanche.  Faltam bases juridicas mais sólidas para sustentar o pedido, dentro das regras do jogo democrático. Mesmo em meio ao mar de lama que envolve o governo e o PT no momento.  Ainda que o processo de impeachment de um presidente da República seja eminentemente político, é preciso acumular provas claras do envolvimento de Dilma nas falcatruas para ele ter alguma chance de sucesso.

Por enquanto, como disse recentemente o ex-presidente Fernando Henrique, o impeachment de Dilma “é pouco provável, mas não impossível”.  Pode até ser que Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), também tenha razão ao afirmar que o imponderável pode acontecer. É difícil prever no momento o que pode ocorrer se as manifestações ganharem corpo e a pressão popular aumentar. “No Brasil, pouca gente pensa nas ‘voltas’ e nas ‘peças’ que a História dá e aplica”, disse Barbosa. Por ora, porém, para o bem ou para o mal, o “Fora Dilma” é mais uma demonstração do alto grau de insatisfação com Dilma e o PT do que uma proposta com chance efetiva de se transformar em realidade.

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