por Bianca Welikson,

A dificuldade dos pais e cuidadores em dar limites pode trazer graves consequências não apenas para o desenvolvimento saudável da criança, mas também para sua vida adulta.

Pais superprotetores consideram todos os feitos de seu filho maravilhosos, inclusive os que não são corretos – como, por exemplo, quando a criança entra na fase de bater e os pais e cuidadores acham engraçadinho. Presumem, erroneamente, que nem tudo precisa ser corrigido, afinal, são apenas “coisas de criança”. Geralmente, são aqueles que acham que o erro está na escola, na babá, nos amiguinhos, mas nunca no próprio filho.

Sim, toda a criança tem “coisas de criança” e é normal por volta dos dois anos entrar na fase de bater e morder, conhecida como “terrible two”, porém são os pais e cuidadores que precisam ensinar a criança que isso é errado. Educar dá trabalho e a criança não aprende sozinha.

Os filhos pedem, clamam e quase exigem limites para saber até onde podem ir. Quando percebem que os pais estão dispostos a educar, sentem-se seguros naquele ambiente familiar; sentem estabilidade e confiança.

Os responsáveis precisam, além de dizer não, sustentá-lo. A criança vai fazer de tudo para burlar as regras através de birras, esperneios, gritos e choros sem fim. Mas cabe ao pai ou responsável manter o “não” e ensinar o que pode e o que não pode. Crianças que não aceitam as regras do jogo na infância se transformarão em adultos que não aceitarão as regras da vida.

Crianças sem limites crescem sem aprender a controlar seus impulsos, sem ter noção do outro; acham-se donas de tudo e de todos e são extremamente centradas em seus próprios desejos. Embora pareçam arrogantes e agressivas, internamente são fracas, com baixa tolerância a frustrações e com dificuldades de relacionamentos sociais.

Para se tornar um indivíduo seguro e civilizado é necessário aprender a controlar impulsos e respeitar as normas sociais. Daí a importância de pais e cuidadores serem de fato educadores e ensinarem valores e princípios aos filhos.

Filhos podem ter todo o carinho do mundo e precisam se sentir amados, fatores fundamentais para constituição da autoestima, mas precisam de regras claras e coerentes. Os pais não precisam associar carinho e amor à impossibilidade de dizer “não” de vez em quando. Bens materiais e “sim” excessivo não constroem segurança, confiança, muito menos autoestima.

É função dos pais e cuidadores criar pessoas que respeitem a vida, que tenham noção do outro, que saibam compartilhar, que não sejam norteadas somente pelos seus impulsos e que saibam respeitar as normas sociais, enfim, as regras da vida.