Grupos anti-imigrantes estão se levantando em Connecticut para promover a construção de um muro ao longo da fronteira e usam casos isolados de imigrantes criminosos para generalizar toda uma comunidade.

Recentemente, o Departamento de Polícia da cidade de Bridgeport (Connecticut) disse que um imigrante indocumentado confessou ter assassinado um menino de 12 anos há duas semanas. O crime faz parte de uma guerra de gangues em que o assassino pretendia matar o primo da vítima, que estava perto.

Não é a primeira vez que um indocumentado comete um assassinato em Connecticut. Um imigrante do Haiti foi condenado em 2015 por assassinar uma mulher em Norwich, apenas alguns meses após ter sido liberado de uma longa sentença por tentativa de homicídio no estado.

Na Califórnia, na semana passada, um imigrante, também em situação irregular no país, suspeito de múltiplas violações por dirigir embriagado foi acusado pelo assassinato de um policial.

Claro que tais crimes não são típicos de imigrantes indocumentados, mas são usados por ativistas anti-imigrantes para representar o fracasso do Governo federal em controlar as fronteiras do país.

De acordo com eles, o governo deve oferecer muita proteção e ele não será protegido até que todos que entram nos Estados Unidos passem por revisão e sigam os procedimentos normais de admissão.

Alguns ativistas destacam que existem interesses poderosos que não querem procedimentos corretos de imigração, de empresas que usam a imigração ilegal para suprimir os custos trabalhistas e aumentando a população dependente do governo.

De acordo com informações por grupos que defendem a construção de um muro na fronteira, a maioria dos casos envolvem pessoas que entraram ilegalmente no país ou estão com vistos expirado, foram deportados, desafiaram uma ordem de deportação e desapareceram ou atrasaram a deportação com reivindicações legais “inventadas”, iniciam famílias para tentar se livrar da deportação, etc.

Um exemplo citado por eles é o caso recente em Plainville, onde um funcionário de um restaurante foi preso por agentes do ICE há várias semanas, tirado de sua família e deportado para o México na semana passada. As reportagens enfatizavam a tristeza da família, mas a maioria não mencionou que esta era a segunda deportação do homem, que ele havia entrado ilegalmente no país e foi pego pelo menos duas vezes.

Porta-voz da Aliança dos Direitos dos Imigrantes de Connecticut, a brasileira Carolina Bortolleto, também imigrante indocumentada, disse que “O ICE continua a usar táticas desonestas para desumanizar e aterrorizar as comunidades… Essa violência sobre nossas comunidades continuará enquanto estiverem usando o sistema, detendo, deportando, aterrorizando e destruindo as comunidades imigrantes”.

Segundo ela, as táticas adotadas pela agência de imigração têm sido prejudiciais para os imigrantes que estão no país apenas para trabalhar honestamente e contribuir para o crescimento de sua comunidade.

Os grupos que se opõem à presença dos imigrantes em Connecticut estão sendo bastante criticados, tachados como desumanos e racistas.